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Rock in Rio: do sol escaldante à tempestade, o festival virou um reality show meteorológico

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Se a gente achava que o Rock in Rio já tinha entregue todo o babado com o calor infernal do primeiro dia, a natureza resolveu dar um olá bem dramático para o segundo. Esqueçam o mormaço pegajoso e o protetor solar: o kit essencial para a Cidade do Rock passou a incluir capa de chuva, galochas e, quem sabe, um guarda-chuva reforçado para não sair voando com o vento. O festival que a gente ama pela música e pelos perrengues épicos ganhou mais um capítulo na saga "eu fui e sobrevivi".

Virada radical: do bronzeado à batalha contra o vento

No primeiro dia, a barra foi pesada: termômetros marcando 34ºC na Cidade do Rock. A galera se virou como pôde para não virar churrasquinho humano, e os contratados do festival entraram em campo também — na entrada, borrifavam água no público num esforço coletivo e digno de nota para aplacar o calorão. Pequeno gesto, mas muito bem-vindo quando você está parado no asfalto debaixo de um sol sem dó.

Mas, como a vida de festival é cheia de surpresas, o Centro de Operações Rio soltou o alerta: o segundo dia prometia chuva e ventos fortes. Segundo o Sistema Alerta Rio, a combinação entre áreas de instabilidade e o deslocamento de uma frente fria foi a responsável pela mudança brusca no tempo. A vibe "verão carioca escaldante" foi trocada por um clima mais instável e imprevisível — só que com muito mais caos musical de fundo.

A gambiarra que é patrimônio imaterial

E a criatividade dos fãs, convenhamos, é algo de se aplaudir de pé. Os que chegaram cedo para garantir a grade do Palco Mundo — aquela disputa acirrada de quem fica grudadinho na frente — tiveram que encarar o calorão antes mesmo de qualquer previsão de chuva, e apelaram para a boa e velha gambiarra brasileira. Liz, fã do Foo Fighters, resumiu o perrengue com precisão cirúrgica: "A gente pegou umas lixeiras que tinha lá fora, fez umas barracas e foi se adaptando com o clima." Ivan Rolim, de 30 anos, foi na mesma vibe: "Conseguimos comprar sombrinhas para ficar e improvisar uns latões de lixo para fazer sombra."

Duas histórias, um mesmo ensinamento: o brasileiro não desiste nunca. A gente faz barraca de lixeira, transforma latão em toldo e ainda acha tempo para tirar foto para o story. É quase uma arte marcial adaptativa.

E agora, com chuva e vento?

Diante da previsão, a pergunta que não quer calar é: como se preparar para curtir do mesmo jeito? Se no dia do sol a estratégia foi a do "menos é mais" — roupas leves, ventilador de mão, água na garrafinha —, agora a aposta era na moda "eu me protejo e continuo estiloso(a)", mesmo que o estilo seja um poncho de plástico transparente. Botas de borracha, capas coloridas e calças impermeáveis viram os novos acessórios obrigatórios. Afinal, ninguém quer perder o refrão favorito por estar encharcado, com frio e com tênis destruído.

E, convenhamos, um pogo na lama também faz parte da experiência — tem até um charme de festival de rock clássico nisso tudo. O tempo virou, a temperatura despencou, mas a fila continuou. Portões abertos, público entrando, e o espírito coletivo que só festival presencial consegue criar tomando conta da Cidade do Rock mais uma vez.

É nessas horas que o negócio fica bonito de verdade: a união da galera para achar um cantinho menos molhado, as risadas nervosas quando o vento quase leva o chapéu, a solidariedade de quem divide uma capa com o desconhecido do lado. O tempo pode virar — e virou —, mas a paixão pela música e pelo evento em si permanece inabalável. Que venha a chuva, que venha o vento. A playlist não para.

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.